Joaquim Oliveira nasceu na aldeia portuguesa de Almalaguês, em 10 de maio de 1896. Sua família vivia do cultivo da terra e tinha um pequeno armazém e uma padaria. Joaquim era encarregado das entregas dos pães que a família produzia, naquele início de século 20. Aos 15 anos, tomou o mesmo rumo que muitos aldeões portugueses: o Brasil, em busca de uma vida melhor.
Em sua nova cidade, Pelotas, começou a trabalhar em um armazém de atacado e varejo de um patrício, morando no sótão com seus poucos pertences. Aprendeu ali algo que serviria para toda a sua vida: comprar e vender. Percorria as colônias do interior gaúcho comprando os produtos que abasteciam o armazém, chamado "O Botafogo".
Era na frente do armazém que Joaquim via passar a jovem Arlinda Moraes, filha de um importante homem de negócios, Abílio Moraes. O irmão de Arlinda, José, tinha juntado uma boa soma em dinheiro e queria montar um negócio para comercializar alimentos, mas não tinha experiência. Assim, Joaquim e José tornaram-se, por um ano e meio, sócios do armazém "Ao Tirafogo". Joaquim, então com 24 anos, estava noivo de Arlinda, que se tornaria sua esposa. Com o apoio do sogro, montou um armazém atacadista, continuando a percorrer o interior para adquirir os produtos dos colonos, e tornou-se muito conhecido.
Como o negócio prosperava, Joaquim pediu ao pai que mandasse para o Brasil seus irmãos mais jovens: Manuel, Urbano, João e Lauro, no início da década de 1920. De suas três irmãs, somente a mais nova, Albertina, veio para o Brasil. Em 1933, Joaquim dividiu a empresa com os irmãos, em partes iguais. Já era um homem importante para a economia local, admirado por seu sucesso. Recebeu o título de "Cidadão Brasileiro" em 1940.
Em 1944 adquiriu mais uma empresa para o grupo Joaquim Oliveira S.A., a Fábrica Riograndense de Adubos e Produtos Químicos. Muito antes de a ecologia virar moda, os Oliveira já cuidavam dela: plantavam árvores para produzir lenha, poupando as matas nativas. Também começaram a investir na pecuária, iniciativa de João, que tomou gosto pela vida no campo. Chegaram os anos 1950. A família comprou um engenho quase falido e o recuperou, começando a trabalhar com o arroz.
Joaquim nunca parava de trabalhar, divertindo-se com seus afazeres, que começavam de madrugada e só paravam altas horas da noite, e exigindo comprometimento de seus sócios e colaboradores. Mesmo assim, sempre encontrava tempo para a família e os muitos amigos. Até o fim de sua vida, em 1952, foi um homem muito estimado e rodeado de amigos. Seu nome era conhecido por todo o Brasil, constantemente citado como exemplo de sucesso conseguido com trabalho árduo.
Ao pesquisar para escrever o livro “Joaquim Oliveira, Meu Pai”, sua filha Necy ouviu a seguinte frase do empresário pelotense Manuel Fonseca Júnior, quando perguntou a ele a razão da grande estima que todos tinham por Joaquim: "É que, acima de tudo, ele era um homem profundamente bom".
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©2008 Joaquim Oliveira S.A. Participações